Reflexões sobre o Reiki

Práticas Integrativas, Espiritualidade e Cuidado à Luz do Espiritismo.
por Camila Martins Rodrigues Modesto
Camila Martins Rodrigues Modesto é anestesista, especialista em Dor e Medicina Paliativa, e membro da Associação Médico-Espírita Campineira.
À luz da Doutrina Espírita, o ser humano é compreendido como espírito imortal, temporariamente vinculado ao corpo físico, em jornada de aprendizado, reparação e progresso. A saúde, nesse sentido, não se limita ao equilíbrio orgânico, mas envolve também as dimensões emocional, mental, moral e espiritual da criatura.
Nesse horizonte, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde, conhecidas como PICS, podem ser compreendidas como recursos de apoio ao cuidado integral. Elas não substituem a medicina convencional, nem dispensam o tratamento médico necessário, mas podem colaborar para o acolhimento da dor, a promoção do bem-estar e o fortalecimento interior diante do adoecimento.
Entre essas práticas, destaca-se o Reiki, termo associado à ideia de "Energia Vital Universal". Baseado na imposição de mãos ou toque sutil, busca favorecer o relaxamento, a harmonização energética e o equilíbrio interior. Embora não deva ser confundido com o passe espírita, o Reiki dialoga com a compreensão de que existem energias sutis em movimento e que o pensamento, a prece, a intenção amorosa e a disposição íntima influenciam tudo em seu entorno. Possuindo método, linguagem e tradição próprios, é compreendido como uma prática de acolhimento e harmonização, desde que exercido com seriedade, humildade, responsabilidade e sem promessas de cura. Seu valor está na presença amorosa, no recolhimento, no silêncio e na disposição fraterna de servir, devendo o terapeuta sempre lembrar que não é dono da cura, mas instrumento de auxílio.
"Embora não deva ser confundido com o passe espírita, o Reiki dialoga com a compreensão de que existem energias sutis em movimento e que o pensamento, a prece, a intenção amorosa e a disposição íntima influenciam tudo em seu entorno."
É nesse encontro entre medicina, espiritualidade e caridade, portanto, que o cuidado se amplia e, sob tal perspectiva, o Reiki se apresenta como uma oportunidade de servir. Não como promessa de cura, mas um gesto de paz; não como substituição da ciência, mas um complemento fraterno; não como um poder de quem o aplica, mas uma expressão simples da disposição de amar e auxiliar o próximo, sem esquecer que a verdadeira cura começa no esforço pessoal de renovação íntima de cada um.
Publicado originalmente na Revista da AMEC — Volume nº 1 (Agosto - Outubro, 2026), página 9. Leia a edição completa em amecampineira.com.br/revista.




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